Quando eu decidi que meu filho nascesse, eu não esperava que haveria um outro grande nascimento nesta decisão. O meu.
Eu não sei nada sobre filhos. Mas sei mais do que qualquer um sobre o
meu. E ainda sim, o meu filho, este ser humano já complexo ainda me
deixa sem saber o tanto que eu gostaria.
Durante algum tempo tentei apenas prever alguns dos seus comportamentos, a fim de que eu pudesse evitá-los.
Na maior parte das vezes, eu desejava com isso, me poupar do que eu
acreditava (ou ao longo dos anos fui sendo convencida) de que era
constrangedor.
Em estado de alerta me mantive, para por exemplo
evitar que ele pegasse algum objeto perigoso, ou que ele agisse "fora
dos padrões" enquanto eu fazia as compras do mês no supermercado lotado.
Chegou um momento em que eu parei de tentar apenas prever, porque
isso me consumia uma energia não necessária e além do que, me afastava
de estar presente e numa real troca com ele. Foi então que comecei a
tentar compreender as ações ao invés apenas de evitar que elas fossem
postas em prática.
Percebi então que na maior parte das vezes eu não deveria estar tentando modificar o meu filho e sim o foco da minha atividade.
Não é uma receita, é apenas uma experiência. Como disse, não entendo de
filhos, entendo do meu, e olhe lá. Mas é isso, cada pai/mãe é o maior
conhecedor do seu próprio filho.
Mas para mim, não é o meu filho que
deve notar os objetos de perigo e não se aproximar deles. São os
objetos de perigo que devem sair de perto dele. Aos poucos ele aprenderá
a reconhece-los e eles poderão voltar ao seu lugar na minha casa. Mas a
casa é do meu filho e não da decoração.
É claro que muitas vezes
as crianças estão ao nosso lado em alguns programas não-próprios.
Supermercado não é bacana. Eu mesma tenho vontade de gritar neles!
Passei então a me esforçar em não inserir meu filho a estes programas,
que não são adequados pra ele. Quando o levo para algum programa de
adulto, porque a vida faz com que a gente não tenha controle de tudo,
tento adaptar uma área em que ele possa se divertir com outras crianças
ou outros estímulos em segurança. Não dá para esperar de uma criança
algo que ela não está preparada para lhe ofertar. É preciso compreender.
E não zangar-se.
Compreender o porquê da ação e não apenas
bloquea-la, impedindo que meu filho descubra o que lhe atrai. Estar ao
lado da criança a fim de que ela saiba da sua presença, buscando
compreender suas dificuldades e ajudando que ele pudesse ultrapassa-las.
E não apressando-se em reprimir um sentimento/desejo real.
Acho que
meu dever de mãe não é dizer ao meu filho o que ele pode e não pode
fazer. Não é que ele deixe de fazer algo simplesmente porque eu, ou
algum outro adulto dissemos: "Não, você não pode."
Acho que meu dever de mãe, e para mim aí mora um enorme prazer, é auxiliar esta descoberta, dentro das possibilidades.
É aquela coisa, a gente renasce mãe.
Quando parei de tentar modificar o outro, e passei a olhar para mim e a
modificar o meus olhos e coração notei que as coisas foram ficando mais
fáceis.
É uma questão de aceitar a realidade: sou mãe de moleque de
dois anos que faz bagunça, não sabe se comportar como adulto, é curioso
e grita com estranhos que tocam nele na rua, ele diz não para muitas
perguntas quando conhece alguém. Eu o compreendo perfeitamente. E o amo
muito por ser assim.
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