Ser mãe dói, não sei se já te contaram, mas em mim dói.
Dói porque é tanto amor que não cabe dentro, então dia após dia, parece
que estamos dilatando a alma para tentar dar conta. Mas não damos.
Dói porque nem sempre tudo é como gostaríamos que fosse.
Eu e você já compreendemos e aceitamos este fato, e digamos, que estamos lidando bem com esta verdade ao longo de nossas vidas.
O que pode ser mudado, lutamos. O que não pode, nos adaptamos.
Mas os nossos filhos, esses ainda não sabem.
E bem-vindos a realidade: As mães costumam ser um dos responsáveis por dizer isto a um filho.
- Meu filho, nem tudo será como gostaríamos. Mas seja como for, estaremos juntos.
Meu filho não quer um monte de coisas. E do fundo do meu coração, eu o entendo.
Por vezes eu também não quero. Não quero tomar banho na hora que
preciso, não quero dormir na hora que tenho, não quero comer aquela
comida que faço, não quero arrumar a casa, não quero ficar longe de quem
eu amo, mas eu sei o motivo maior de estar fazendo essas coisas todas
que eu não quero fazer.
Ouvi uma vez uma pessoa que ia ficar com o Gabriel para que eu trabalhasse, dizendo:
- Mamãe vai trabalhar, para ganhar dinheiro e comprar presente para você!
Eu tive voltar correndo para explicar para ele e para a pessoa.
- Não, não é isso. Eu vou trabalhar porque também amo o meu trabalho.
Vou aprender coisas bacanas para brincarmos juntos e isso será um
presente em nossas vidas!
Eu entendo o meu filho. Eu também não ia
querer ficar longe da minha mãe. Ela me abraça forte mesmo quando estou
errada e tenta me ajudar a remendar meus erros. Eu tento fazer o mesmo
com o meu filho.
Então, mesmo com o coração doendo, eu preciso que
meu filho compreenda que por vezes as coisas não serão como ele
gostaria, mas isso não faz que elas não sejam especiais ao seu modo.
Hoje eu me senti um tanto cruel quando deixei meu filho na escola e
segui para o meu dia, mas é preciso compreender: é difícil para nós
dois. Então eu desejo força as mães, para que possamos medir os "nãos" e
dizê-los com segurança e amor. E que depois deles possamos abraçar as
nossas crias e estar com elas mesmo depois que nos despedirmos. De uma
mãe em adaptação.

Dói aqui também, flor. Obrigada pelo texto, adorei! Aguardo mais.
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