segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Faltam menos de dez dias pro fim do ano e acho que fico sensível em despedidas.
Essa manhã você me deu um beijo de bom dia e uma vontade de chorar me imundou, embora eu tenha pensado não demonstrar, você me olhou nos olhos e soube que em mim morava a fragilidade, retribuiu meu amor com mais dois beijos, um em cada olho agora já molhados e me abraçou tão forte e tão sereno que eu quase esqueci que você tinha só três anos e que a mãe no caso sou eu.
Lá se vai o ano da força, meu pequeno.
Lá se vai o ano da cumplicidade, meu parceiro.
Lá se vai o ano do medo, meu herói.
Lá se vai. Lá se vai o ano que descobrimos juntos o poder do nosso amor.
O ano em que tive a certeza de que tudo o que sou hoje, tem você no meio. E que tudo que você é hoje, tem o que eu acho que devemos ser no futuro.
Você é a vida que pulsa em mim e tempo algum vai conseguir abrandar a brasa que ainda me queima o ventre com a certeza da sua chegada nesse mundo.

Te amo.
E como você costuma dizer pra mim nas suas declarações:
Te amo além e ao infinito.
Mamãe.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O filho

Desde que me percebi mãe, aprendi a reavaliar. E nem sempre reavaliar é simples e indolor.
A gente deseja ser ponto de apoio pra um filho, deseja que ele corra longe mas saiba que pode voltar, deseja que ele saiba do nosso amor independente do que ele faça ou seja, deseja que ele tenha a serenidade de que você estará ali mesmo quando ele errar, mesmo quando ele estiver só, mesmo quando nem ele queira estar. Você, mãe, vai estar. Vai descobrir forças onde não conhecia.
A gente deseja ser o nosso melhor. A gente deseja.
Mas nem sempre a gente é o nosso melhor.
Quase sempre a gente está é apenas tentando ser.
E tem ainda o momento em que você percebe que esse ser que divide a vida contigo, também está fazendo o melhor que pode. E você vai errar e ele vai ser testemunha.
Hoje foi um dos dias em que simplesmente eu estava errando. Errando feio. Eu estava cansada, irritada, num trânsito sem tamanho, sem ajuda de ninguém, cheia de coisas pra fazer e ao invés de perceber e tentar quebrar essa energia toda, eu continuava reclamando. Esbravejando sobre o trânsito, o sol, o carregador que não carregava, o flanelinha que achou que eu ia estacionar, o fulano do carro do lado que não parava de olhar, e o menino ali, irritando-se junto, começando a se queixar: essa cadeirinha é ruim. Posso sair dela? Posso ir em pé? Posso abrir a janela? Posso colocar a cabeça pra fora? Posso ir no porta malas? E a mãe enlouquecendo. Aquela vontade secreta que as mães nem sempre confessam de dizer: sim, só me deixa quieta! Mas insistindo em dizer apenas não. Não. Não. Naaaaaaaaooooooooo!
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Aí o menino vira e repete o discurso que a mãe prega desde sempre.
O menino quebra o ciclo. O menino diz a mãe o que ela ensinou ao menino.
Ele disse mais ou menos assim:
- Você tá feliz, mãe?
- Tô. Você tá?
- Tô irritado. A mamãe também tá irritada.
- É verdade... tô...
- Eu tô triste porque mamãe gritou comigo. Não precisa gritar.
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Aí eu fiquei ouvindo aquilo e não sabia o que sentir. Tava misturado, sensação de ser pega no flagra do erro.
Disse apenas:
- Sinto muito por ter gritado. Me desculpa. Tentarei não fazer de novo.

E ele estendeu a mão pra mim, segurou a minha e seguimos a viagem assim o filho compreendendo que a mãe também erra.