sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Bandeira Branca


Conforme-se, todos saberão cuidar do seu filho melhor do que você.
Não importa, quem quer que seja saberá apontar seus erros com maestria.Por vezes, não saberão ao menos o modo correto, mas definitivamente não é o seu.
Conforme-se querida, será assim. Pessoas desconhecidas, familiares bem intencionados e amigos com filho de quinze dias a mais que o seu, todos já passaram por isso. Mesmo os que não tem filho, já passaram, porque conviveram doze horas com o filho do primo de segundo grau daquela tia que é cunhada do sogro da vizinha da cumadre do seu tio-avó.
Quando eu me conformei, foi mais fácil. Senti um peso sair das minhas costas e proclamei em voz alta - Está certo, todos vocês sabem mais que eu, eu compreendo e aceito isso.Não quero competir. Não quero ser a melhor mãe do mundo. 
Não estou acertando em tudo. Não sou melhor que você, nem ao menos tenho esta intenção.Acontece, simplesmente acontece, que este é o meu filho, esta é a minha vida e tudo que existe nela são as minhas escolhas.
Não sou "menas main", você também não é, que fique bem claro.Nada, absolutamente nada que eu faço com o meu filho dentro e fora da minha casa visa afrontar você.Aliás eu raramente penso em você, não porque não te considere uma pessoa sensacional, mas simplesmente porque me falta tempo e foco, estou totalmente voltada para esta criança, para estas opções e para remendar os erros que cometo diariamente tentando acertar.
Eu tenho plena consciência que nossos filhos e vivências são totalmente diferentes, porque nós todos somos indivíduos diferentes.
Não estou aqui para julgar, não é uma guerra, não é uma competição, não estamos brigando para criar o melhor filho do mundo. 
Estamos vivendo, dia após dia vivendo, da forma que dá, mas principalmente da forma que nos faz deitar a cabeça e dormir as poucas horas de sono que a vida materna nos permite.
Eu parei de lutar, eu parei de tentar provar pra você ou para mim mesma que estou no caminho certo. Eu não sei qual é o caminho certo. Eu nem ao menos suspeito dele. 
Eu estou fazendo o que meu coração manda. De verdade, eu aprendi a ouvir meu coração, tem coisas que ele me deixa fazer, outras não. 
Não me culpo, não se culpe também, estamos tentando.
Fonte: Pinterest

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Bordões Maternos

Para mim, ser mãe é uma oportunidade de revisitar tudo que eu sou e fui até aqui.
É uma nova chance de olhar por um outro prisma, com mais calma e serenidade e tentar fazer diferente.
Não estou falando sobre "certos" e "errados" universais, se é que eles existem. Estou falando sobre o que é certo para mim. O que me deixa tranqüila e confortável e condiz com o que acredito e desejo para minha vida.
Quando falo com meu filho sinto o amor emanar. Muitas vezes estou sem paciência, cansada ou frustrada por questões que vão muito além da maternidade. Nestes momentos eu preciso me esforçar imensamente para não canalizar estas questões negativas no meu filho e na minha relação com ele.
Eu tenho grande dificuldade nisso. É um exercício diário onde coloco muito esforço e vontade. Nem sempre eu consigo, mas continuo tentando.
Muitas coisas me oprimem na vida cotidiana e eu tento não usar o meu filho como escape, pelo simples fato dele ser pequeno, depender de mim, me amar profundamente e tudo isso exigir meu tempo, disposição e empenho.
Pelo contrário, tento fazer a nossa relação se tornar uma alavanca que me jogue ainda mais alto e que de mãos dadas com ele eu possa ultrapassar qualquer questão pequena. Sim, porque todas essas questões tornam-se pequenas frente a ele.
Digo tudo isto, porque rodou na internet uma série de dez cartazes com as frases mais ditas pelas mães, numa já cansativa ideia de que: "Mãe é tudo igual".
Queria dizer que não, mãe não é tudo igual. Conheço muitas mães, apesar de compartilharem algumas questões, elas são infinitamente heterogêneas em seus pensamentos, questões, emoções e principalmente realidades.
Antes de ir além, esclareço sobre as frases:
Sim, eu ouvi muitas destas frases da minha mãe. Sim, eu sei que ela me ama. Sim, eu também a amo muito. Sim, eu sobrevivi. Sim, eu sou uma pessoa feliz.
Apesar de serem frases comuns na educação de muitos de nós e de não ter aparentemente nenhuma maldade explícita contida nelas, apenas uma vontade materna de educar e fornecer limites ao filho, é necessário verificar e perceber um registro opressor nelas e acredito (realmente acredito) que existam outras formas de diálogo numa relação mãe/filho, pai/filho, cuidador/filho que podem levar ao mesmo resultado, estas formas possam talvez parecer mais cansativas, ou sem um resultado imediato e com certeza também podem ser muito criticadas por parentes, vizinhos ou transeuntes que nada tem a ver com sua vida, mas sem dúvidas elas podem levar a um outro estágio de comunicação, elas podem abrir canais diretos e afetivos, elas são resultado de uma relação de respeito, onde vemos a criança como um ser igualmente merecedor de voz e espaço.
(Fonte: Google Imagens)

Pensando nisso, tentei perceber algumas das frases que eu procuro usar na minha casa com o meu filho. Onde procuro ser otimista, ter confiança no desempenho dele e onde me coloco sempre disponível para ajuda-lo se ele manifesta precisar de ajuda. São elas:

1) Siga seu ritmo. Não se apresse.
2) Eu te entendo.
3) Respire fundo.
4) Você precisa de ajuda?
5) Grande amigos se ajudam e nós somos também grandes amigos.
6) Tente falar o que houve para que eu possa te ajudar.
7) Estamos juntos nessa.
8) Você consegue. Acredite em você! Eu acredito!
9) Me dá um abraço bem forte, quem sabe não melhora?!
10) Não desista e continue tentando.


Não estou querendo usar estas frases como verdades absolutas ou fabricar uma receita de bolo. Como disse anteriormente: cada mãe é uma, cada filho é um e principalmente cada relação se faz única. Cada um sabe de si, onde o calo aperta e o que precisa para sua vida.
O que quero aqui é fazer um convite, para que eu e você reavaliemos algumas das frases utilizadas no corriqueiro dia a dia, que podem até não traumatizar uma criança ou criar pequenos monstros mas que podem cercear as manifestações emotivas da criança.
O que eu não quero fazer aqui é dizer que você é uma péssima mãe por usar as frases no seu dia a dia. Eu entendo o seu uso, eu entendo de coração você, eu entendo a repetição desses modelos e eu acredito que eles possam dar resultados, mas eu realmente acho que podemos tentar uma outra forma. Quem sabe em doses homeopáticas? Eu falho, você também vai falhar, mas aí a gente usa uma das frases que usamos com as crianças. "Não desista e continue tentando".

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Transformação

Tem uma frase do Nelson Rodrigues que não tem saído da minha cabeça nos últimos dois anos: 
“Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina quando tem um filho melhora." 
Tirando os casos extremos e dramáticos de mães tenebrosas que sempre tem alguém pra contar, eu tendo a concordar integralmente com ele. 
A maternidade é uma transformação. 
Sinto-me transformada da cabeça aos pés numa velocidade vertiginosa que quase nem eu mesma consigo acompanhar.
A primeira delas foi porque me descobri capaz. E capacidade é uma competência que sempre nos deixa feliz.
Conheci um amor pleno, que não espera retribuições. Logo eu, que sempre fui de esperá-las.
Aprendi a confiar em mim mesma, e a ouvir os sussuros de uma certa voz interior ancestral que me lembra sempre do meu título de fêmea, bicho, mãe, feroz.
Ganhei força. Força para nadar contra a maré, para defender o que eu acredito, força para falar, incessantemente falar sobre ser mãe, sobre educar, sobre criar um mundo melhor para nossos filhos e filhos melhores para o nosso mundo.
Sim, estou transformada.

(Fonte: Pinterest)

Quando vou me apresentar em algum lugar tenho dificuldades de não dizer todas as vezes - Sou Débora, atriz, professora de teatro, mas principalmente - e me desculpem as minhas outras paixões- sou mãe.
Tudo isso num tom desesperado de confissão e súplica de que me entendam, por favor, terei de falar sobre uma das minha militâncias maternas no meio da nossa conversa.
Ser mãe é se jogar abismo abaixo confiando no amor.
É não ter tempo para pensamentos negativos, para amores rasos, para amizades superficiais... É aprender a deixar ir tudo aquilo que nos atrasa, que retém, para enfim tentar ir além, porque agora, eu sou o além.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Uma mãe em adaptação

Ser mãe dói, não sei se já te contaram, mas em mim dói.
Dói porque é tanto amor que não cabe dentro, então dia após dia, parece que estamos dilatando a alma para tentar dar conta. Mas não damos.
Dói porque nem sempre tudo é como gostaríamos que fosse.
Eu e você já compreendemos e aceitamos este fato, e digamos, que estamos lidando bem com esta verdade ao longo de nossas vidas.
O que pode ser mudado, lutamos. O que não pode, nos adaptamos.
Mas os nossos filhos, esses ainda não sabem.
E bem-vindos a realidade: As mães costumam ser um dos responsáveis por dizer isto a um filho.
- Meu filho, nem tudo será como gostaríamos. Mas seja como for, estaremos juntos.
Meu filho não quer um monte de coisas. E do fundo do meu coração, eu o entendo.
Por vezes eu também não quero. Não quero tomar banho na hora que preciso, não quero dormir na hora que tenho, não quero comer aquela comida que faço, não quero arrumar a casa, não quero ficar longe de quem eu amo, mas eu sei o motivo maior de estar fazendo essas coisas todas que eu não quero fazer.
Ouvi uma vez uma pessoa que ia ficar com o Gabriel para que eu trabalhasse, dizendo:
- Mamãe vai trabalhar, para ganhar dinheiro e comprar presente para você!
Eu tive voltar correndo para explicar para ele e para a pessoa.
- Não, não é isso. Eu vou trabalhar porque também amo o meu trabalho. Vou aprender coisas bacanas para brincarmos juntos e isso será um presente em nossas vidas!
Eu entendo o meu filho. Eu também não ia querer ficar longe da minha mãe. Ela me abraça forte mesmo quando estou errada e tenta me ajudar a remendar meus erros. Eu tento fazer o mesmo com o meu filho.
Então, mesmo com o coração doendo, eu preciso que meu filho compreenda que por vezes as coisas não serão como ele gostaria, mas isso não faz que elas não sejam especiais ao seu modo.
Hoje eu me senti um tanto cruel quando deixei meu filho na escola e segui para o meu dia, mas é preciso compreender: é difícil para nós dois. Então eu desejo força as mães, para que possamos medir os "nãos" e dizê-los com segurança e amor. E que depois deles possamos abraçar as nossas crias e estar com elas mesmo depois que nos despedirmos. De uma mãe em adaptação.